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Sol e vitamina D em tempos de covid-19 e quarentena

Não há benefício para o tratamento da Covid-19 na suplementação da vitamina D. Exposição ao sol deve ser feita com cuidado.

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Publicado em: 14 de agosto de 2020

Devemos tomar sol durante o período de isolamento social? O isolamento social terá impacto sobre os níveis de vitamina D? Tomar sol melhora a imunidade? E os riscos associados à exposição solar? A vitamina D pode melhorar a imunidade?

Esses são alguns dos questionamentos que podem ocorrer diante da drástica mudança na rotina da maioria dos brasileiros que se mantêm em casa para evitar a propagação da pandemia da covid-19.

Não há dúvida de que a exposição solar moderada tem efeitos benéficos à saúde. Ela está associada a uma sensação de bem-estar, provocada pela liberação de beta-endorfina, além de estar associada a redução da pressão arterial, indução da imunidade inata e produção de vitamina D. A vitamina D, por sua vez, é importante na manutenção da saúde do sistema musculoesquelético, prevenindo a osteoporose.

Estudos recentes sugerem que níveis adequados de vitamina D poderiam estar associados à redução da ocorrência de alguns tipos de câncer, doenças cardiovasculares e poderiam também reduzir a incidência de doenças autoimunes, embora até o momento sejam inconclusivos.

Então, exposição solar estaria indicada para todas as pessoas como forma de melhora da saúde? Depende. A exposição solar está também associada a efeitos negativos, a começar pela queimadura solar. Outro efeito indesejado é o envelhecimento da pele causado pelo sol, chamado de fotoenvelhecimento. Além disso, a exposição ao sol pode ter efeito imunossupressor e favorecer algumas infecções, como a reativação do vírus herpes. E por fim, o efeito mais temido, que é a indução de câncer de pele pela radiação ultravioleta (UV) do sol. A radiação UV pode induzir mutações que determinam a formação de câncer de pele em pessoas geneticamente predispostas.

Em vista desses riscos, a exposição solar intencional com o objetivo de melhorar os níveis de vitamina D não é recomendada. Seria preferível proceder à dosagem de vitamina D, e caso os níveis estiverem baixos, realizar reposição por via oral.

Outro conceito importante é que o UV-B, radiação solar responsável pela produção de vitamina D, não ultrapassa vidros, portanto de nada adianta a exposição solar através de janelas. E por fim, cada indivíduo deve levar em consideração seu risco potencial de vir a desenvolver câncer de pele quando toma a decisão de se expor ao sol. Para pessoas que têm pele clara, já tiveram um câncer de pele, têm múltiplos nevos ou pintas, ou têm familiares que tiveram câncer de pele, o risco da exposição é certamente maior que o benefício. A exposição solar pode ser realizada de forma mais segura através do uso de fotoprotetores e evitando os horários de pico, das 10:00 às 16:00 horas.

Outra dúvida seria se a vitamina D poderia de alguma forma prevenir ou tratar a infecção pelo SARS-CoV2. Alguns estudos tentaram demonstrar que pessoas com deficiência de vitamina D teriam um pior desfecho da infecção pelo novo coronavírus. Porém, não foram conclusivos, e não se pode afirmar que existe qualquer relação estabelecida entre suplementação de vitamina D e proteção ou melhor prognóstico da covid-19. Até o momento, a suplementação da vitamina D está indicada apenas para a manutenção da saúde do sistema musculo-esquelético, nas pessoas que tenham deficiência confirmada.

Fonte: Portal Drauzio Varella